Mortes no trânsito caem 3 vezes mais na capital paulista

Considerando janeiro a agosto, a queda foi de 16,7% em São Paulo, ante 5,5% no interior; especialistas apontam redução de velocidade.

Mortes no trânsito caem 3 vezes mais na capital paulista

Colisão no Tatuapé, em agosto. Possibilidade de morte chega a 85% acima dos 64 km/h

 

SÃO PAULO – As mortes por acidente de trânsito caem na cidade de São Paulo em um porcentual três vezes maior do que no Estado, segundo dados do Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo (Infosiga). Na capital, a queda é de 16,7%, de 775 para 645 ocorrências, de janeiro a agosto deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. No Estado, levando em consideração os 645 municípios paulistas, a diminuição é de 5,5%, de 4.093 para 3.867 mortes.

Produzido pela consultoria Instituto Falconi e pelo Centro de Liderança Pública (CLP), o Infosiga é uma parceria da gestão Geraldo Alckmin (PSDB) com empresas do setor privado, como Ambev (bebidas), Abraciclo (que reúne fabricantes de motos), bancos e seguradoras. Os dados do Infosiga são coletados a partir de informações dos boletins de ocorrência registrados pela Polícia Civil, quando há óbitos no local do acidente ou quando a morte acontece no hospital.

Segundo Alvaro Guzella, consultor do Instituto Falconi, com base no registro há um mapeamento. “As informações do registro trazem dados sobre o local do acidente. O que fazemos é detalhar essas informações. Se era um pedestre, condutor do veículo, motociclista. E vamos até o local onde as mortes aconteceram”, afirma.

Para evitar retificações, ainda segundo Guzella, o acidente entra na estatística a partir da data da morte – não da data do evento. Assim, caso um acidente tenha resultado em três feridos, com cada um deles morrendo após períodos diferentes de internação, para os registros serão três casos de morte distintos, mesmo que resultado de um único incidente.

Redução. A queda mais acentuada na redução de trânsito é resultado direto, para especialistas, das políticas de redução dos limites de velocidade na capital – a medida será revista pelo prefeito eleito, João Doria (PSDB).

“A velocidade é o primeiro fator de letalidade dos acidentes. A energia cinética de um carro em alta velocidade é muito maior”, diz o presidente da Associação Brasileira de Medicina de Trânsito (Abramet), Dirceu Rodrigues Alves Júnior. “Se o carro está a 32 km/h, o acidente é capaz de produzir o óbito em 5% dos casos. Se está a 45 km/h, já sobe para 48%. E se o veículo está a 64 km/h, vai produzir óbito em 85% dos casos”, continua Alves Júnior. “A redução de velocidades está acontecendo no mundo todo.”

A relação causa-consequência entre a redução de velocidade e a diminuição das mortes também é feita pelo consultor de engenharia de tráfego Horácio Augusto Figueira. Ele afirma ainda que a metodologia do governo do Estado para a coleta dos dados está correta. “Os acidentes são como ondas. Devem ser registrados mês a mês, mas a comparação deve ser com períodos longos”, afirma.

Já para o também consultor Flamínio Fischmann, o retrato do interior teria de considerar outros fatores, principalmente econômicos. “É preciso considerar que os perfis de acidentes nas cidades e nas rodovias são diferentes.”

Zona sul lidera ranking paulistano de registros fatais

Os dados do Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo (Infosiga) mostram que a maior parte das mortes na cidade de São Paulo no mês de agosto aconteceu nos extremos da cidade. A zona sul, com 35 ocorrências, lidera a relação.

Na sequência, vêm a zona leste, com 26 mortes, e a zona norte, com 19. Já o centro registrou 4 casos, dois a menos do que a zona oeste, com 6 – um deles ocorrido dentro da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp). Em comum, as vias que registraram mais de uma morte, como a Avenida Marechal Tito (zona leste) e a Estrada do M’Boi Mirim (zona sul), têm o fato de serem tanto artérias locais, de conexão entre os bairros e as marginais, como vias de intenso comércio local e concentrarem grande fluxo de pedestres durante o dia.

Mas as vias que mais registraram casos são as expressas. A líder em registros de mortes no mês passado foi a Rodovia Fernão Dias, que liga São Paulo a Belo Horizonte, no trecho dentro do município de São Paulo. Foram quatro casos. As Rodovias Imigrantes e Ayrton Senna tiveram dois cada. Ao todo, das 103 mortes registradas no mês de agosto, 9 aconteceram no trecho paulistano de rodovias.

A Marginal do Tietê, via com maior fluxo de veículos, teve três casos. A Marginal do Pinheiros, ou Avenida das Nações Unidas, registrou uma morte.

Perfil. O Infosiga traz também, mensalmente, um perfil detalhado sobre as vítimas dos acidentes fatais. No mês de agosto, das 103 mortes, 74 foram homens e 29, mulheres.

A faixa etária com mais casos é entre 18 e 29 anos, que concentrou 28 registros. Uma das vítimas tinha menos de 17 anos e cinco outras, 80 anos ou mais.

Ao todo, 31 mortes foram de motociclistas e 18, de ocupantes de automóveis. A maioria das mortes na cidade, entretanto, foi de pedestres – 53 pessoas morreram atropeladas na capital em agosto. Ao tratar dos acidentes, o Infosiga anotou ainda que 19 ocorrências foram de choque – quando o veículo bate em objeto fixo, como poste -, ao passo que 21 foram de colisões entre dois veículos.

Fonte: Estadão